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terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Mais uma vez, infelizmente, a cultura é ameaçada em nosso País.

Interrogado sobre a diferença existente entre os homens cultos e os incultos, disse:
"A mesma diferença que existe entre os vivos e os mortos'.
Fonte: "Citado em Diógenes Laércio, Vidas dos Filósofos, Aristóteles"

Enquanto assistirmos cinemas tranformando-se em igrejas, índios serem queimados por jovens desajustados, animais em rinhas, florestas serem queimadas, crianças e jovens sem perspectivas e pensarmos: "Ah! que mundo cruel esse nosso.
As pessoas são assim...
Essa juventude não tem mais jeito... Não sei onde vamos parar. Etc... etc..."

Enquanto acharmos que a melhor opção de assunto é o que nos mostra a tela da TV, principalmente nos canais abertos. E não fizermos absolutamente nada para mudar esse cenário, seremos meros espectadores do caos. Co-autores por omissão.

Se eu não posso ajudar efetivamente, há de ter alguém que possa.
E por ser do time dos que acreditam que esse País tem jeito. É que repasso aqui, o pedido de ajuda com urgência, urgentíssima que recebi do meu amigo, Paulo.


ASSASSINATO A SANGUE FRIO*

Um assassinato cruel está próximo de ser consumado na Capital do estado do Espírito Santo.
Esse crime horrível tem local certo para acontecer, e é do pleno conhecimento das Autoridades Municipais, Estaduais e Federais.
Apenas está indefinida a hora e a data, mas ele ocorrerá de fato e ficará totalmente impune, se não houver uma mobilização popular, eficaz e imediata. Não só pela gente capixaba, mas pelas gentes de todos os cantos do Brasil. E, por que não aumentar as proporções? De todo o mundo civilizado!
O hediondo crime que estou falando é a iminente destruição e demolição do Teatro Edith Bulhões, e do conseqüente e previsível sepultamento em vida da hoje agonizante Sociedade de Cultura Artística de Vitória – a SCAV.

Nos idos dos anos de 1950, a concertista brasileira de renome nacional e internacional, a pianista carioca Edith Bulhões, foi convidada pelo então governador do Espírito Santo, Jones dos Santos Neves, para desenvolver uma estrutura que permitisse o florescimento cultural no estado, que fosse o embrião e celeiro de artistas locais.
Passado o frenesi inicial e a normal troca de governantes, os recursos e o apoio público para continuação de tão monumental tarefa começaram a minguar. Mas Edith não esmoreceu, contagiando e arregimentando pessoas e recursos para auxiliá-la naquela bela idéia que – de fato e após inúmeros anos de luta, concretizou-se em tijolos e equipamentos do Teatro da SCAV, uma escola de balé e inúmeras produções culturais relevantes.
Edith Bulhões, durante décadas, literalmente “passou o pires” atrás de doações e ajuda; freqüentou inúmeros gabinetes de governantes, políticos e autoridades públicas – municipais, estaduais e federais. Conversou e buscou patrocínios com empresários dos mais diversos calibres, convenceu profissionais a prestarem serviços de forma gratuita e diversos artistas clássicos e populares foram convencidos a realizarem apresentações, muitas vezes em troca de simples transporte, alimentação e hospedagem.
Quando o dinheiro faltou, para que o projeto não cessasse, ela mesma tirou recursos do próprio bolso, sacando suas economias, vendendo propriedades e bens que adquiriu ou recebeu durante a sua carreira artística.

O Teatro da SCAV – posteriormente e justamente batizado de Teatro Edith Bulhões – foi erguido em terreno concedido na década de 1960 pelo Poder Público Federal. É uma casa de espetáculos simples, mas que impressiona pelas suas instalações.

Com ampla área para estacionamento de veículos, capacidade para mais de 300 pessoas e dotada de bons equipamentos, inclusive sistema de ar condicionado central, está em local excelente, de grande valor econômico e de inegável interesse imobiliário, a Avenida Beira-Mar de Vitória, Espírito Santo. Do teatro pode-se ver o trânsito de veículos que transpõem o chamado “Centro Velho” ao novo Centro Comercial e aos atualmente bairros mais nobres de Vitória, bem como apreciar, no lindo canal que se descortina à sua frente, o entra e sai dos barcos e navios que conduzem ao abrigo do porto de Vitória, ou de volta ao oceano.
Certamente essa excelente localização é que despertou o interesse e o apetite de burocratas do Governo Federal em retomar a área concedida à Sociedade de Cultura Artística de Vitória – a SCAV. Primeiro, através de ação judicial com o intuito de ali alojar a sede da Delegacia Regional da Polícia Federal. Perderam a demanda judicial!
Todavia, o ataque feroz dos insensíveis burocratas federais não cessou! Mais fortes e escolados impetraram uma nova demanda judicial, agora em nome da Receita Federal, com o pretexto de construir na área concedida à SCAV, a sua sede da Delegacia Regional. Desta vez obtiveram êxito, porque houve a falha de 01 (UM!) mísero dia na contagem do prazo para a interposição de recurso que permitiria a permanência da SCAV naquele local.
Hoje, graças à força dos advogados do Poder Público Federal, verdadeiro gigante Golias frente ao Davi representado pela SCAV que, com um único advogado (diga-se de passagem, o grande advogado Dr. Ary Lopes Ferreira, do Espírito Santo, que defendeu a SCAV meramente pela força e a convicção de acreditar no seu ideal, sem pretender ou perceber jamais qualquer remuneração pelos serviços profissionais prestados), conseguiu sustentar bravamente uma luta desigual. Assim, apesar dos esforços, já não mais existe a escola de balé, totalmente demolida a mando de burocratas em nome do “interesse público”, deixando órfãs as muitas crianças que ali freqüentavam, em busca da concretização do sonho e do desenvolvimento artístico e pessoal.
Infelizmente o crime, o assassinato a sangue frio, premeditado e re-premeditado, não pára por aí! Em recurso judicial, a SCAV perdeu a demanda, inclusive tendo sido condenada a pagar a sucumbência dos honorários advocatícios (apesar de organização sem fins lucrativos, de utilidade pública, e com o caixa tendendo ao número zero), e...

É MUITÍSSIMO PIOR! É HORRÍVEL! É BÁRBARO! É IMORAL!

A SCAV deverá entregar o Teatro, construção e equipamentos, SEM RECEBER QUALQUER INDENIZAÇÃO!

Enquanto escrevo com a mais forte indignação e asco os acontecimentos trágicos aqui relatados, vêm à minha memória os radicais afegãos do Taleban que, em nome do fanatismo religioso, determinaram a destruição das grandes estátuas do Buda, esculpidas na rocha – obras de arte e patrimônio cultural da humanidade. Crime dos ignorantes, gente que ocupa o poder de forma transitória e que – por incompetência, vaidade, burrice ou coisa que o valha – perpetra às gerações futuras o tamanho da própria imbecilidade.
Em outros tempos, eu sei que Edith Bulhões estaria lutando bravamente à frente de seu pequeno exército de Brancaleone, tentando salvar o Teatro e a SCAV, impedindo mais um golpe mortal contra a cultura brasileira.
Essa Grande Dama da Música Clássica Brasileira, afilhada artística da lendária Guiomar Novaes, sempre foi assim: aguerrida e guerreira, destemida e ousada, que arrancou “bravos” calorosos do grande Heitor Villa-Lobos quando executou para o supremo compositor brasileiro, pela primeira vez e de forma inédita, a sua transcrição para piano do “Moto Perpétuo”, de Arturo Paganini - peça musical de complexa execução e na qual ficou debruçada por mais de dois anos, durante a sua aclamada e cintilante carreira de concertista. Foi essa magistral peça clássica, executada por Edith Bulhões, o prefixo da Rádio MEC – do Ministério da Educação e Cultura do Brasil, por muitos e muitos anos.

Infelizmente, Edith Bulhões está adoentada e cansada. Do alto dos seus quase 90 anos, apesar de lúcida, está preocupadíssima com o destino da Sociedade de Cultura Artística de Vitória (SCAV) e do Teatro que leva o seu nome. Liderou e ajudou um sonho belíssimo a sair do papel e tornar realidade, tudo através de trabalho árduo, apaixonado e sem nenhum interesse, a não ser a arte. Mas ela sente que já não possui mais o vigor físico de outros tempos, que entusiasmou e encantou brasileiros e estrangeiros, famosos e anônimos.

É claro que esforços estão sendo feitos, no sentido de tentar reverter o assassinato cultural anunciado.

Foram contatados:

1) O Prefeito de Vitória, diversos Secretários e Assessores;
2) O Governador do Estado do Espírito Santo, diversos Secretários e Assessores;
3) Vereadores da Câmara Municipal de Vitória e Deputados da Assembléia Legislativa Estadual;
4) Deputados Federais e Senadores do Espírito Santo;
5) Ministro da Cultura do Brasil e diversos Assessores; e
6) Outros políticos ou pessoas que trafegam pela esfera pública, nos Três Poderes.

Todavia, parece que no Brasil o Homem Público somente se movimenta e age quando há o clamor da opinião pública. É necessário e urgente, portanto, que a sociedade se mobilize para tentar impedir tão grave dano à cultura e às futuras gerações.

A pergunta que faço é:

O QUE VOCÊ PODE FAZER PARA AJUDAR A NÃO ACONTECER ESSE CRIME HEDIONDO CONTRA A CULTURA CAPIXABA E DO BRASIL?


*Texto escrito e enviado por e-mail por: Paulo de Bulhões Marcial Neto, sobrinho de Edith Bulhões.




Família Bulhões Marcial:
Paulo Bulhões, Denise, Paulo Bulhões Marcial Neto, Nívia e Edith.
Fonte: Arquivo da família.

2 Comentários:

  • É , poeta, infelizmente os políticos necessitam de um Brasil inculto pra que os corruptos permanecam no poder... Como já disse Reanto Russo " QUE PAÍS É ESSE?"

    Parabéns pela iniciativa!

    Cheirinhos de cá...
    Luh OLiveira

    Por Blogger Luh, às 8 de janeiro de 2008 17:35  

  • CALAMO-NOS E BAIXAMOS NOSSA CABEÇA.SOMOS ASSIM,VIVEMOS SILENCIOSOS ,OMISSOS .CALAMO-NOS ENQUANTO OS TAMBORES GRITAM NOSSA DOR.ATÉ QUANDO VAMOS SILENCIAR DIANTE DE TANTAS MAZELAS SOCIAIS.O REMÉDIO SABEMOS QUAL ,MAS NÃO QUEREMOS TOMAR.

    Por Blogger alice, às 9 de janeiro de 2008 12:13  

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